As portas de algumas casas abriram-se para acolher vizinhos, amigos e famílias. A igreja encheu-se, dia após dia, para celebrar a fé. Os doentes receberam visitas diferentes. As crianças e os jovens descobriram a vida de um jovem santo e o que é, afinal, ser missionário. E, acima de tudo, uma comunidade voltou a encontrar-se…


Entre os dias 21 de Junho e 05 de Julho, a rotina da paróquia de São Vicente de Sousa, na Vigararia de Felgueiras, foi diferente. As portas de algumas casas abriram-se para acolher vizinhos, amigos e famílias. A igreja encheu-se, dia após dia, para celebrar a fé. Os doentes receberam visitas diferentes. As crianças e os jovens descobriram a vida de um jovem santo e o que é, afinal, ser missionário. E, acima de tudo, uma comunidade voltou a encontrar-se. Foi este o espírito da Missão Popular Vicentina, uma experiência que procurou recordar que a Igreja não vive apenas entre as paredes do templo, mas também nas casas, nas famílias e no coração de cada pessoa.


A primeira semana foi dedicada às comunidades. Em sete casas da paróquia, realizaram-se encontros de oração, reflexão e partilha sobre temas centrais da fé cristã. A Religião, Jesus Cristo, Maria, a Igreja e o sentido de viver em comunidade foram temas que ajudaram os participantes a olhar para a fé de uma forma mais próxima e mais vivida. Foi também durante estes dias, da primeira semana da Missão, que a paróquia acolheu a relíquia e o oratório de São Carlo Acutis, uma iniciativa da Vigararia de Felgueiras, que começou no Domingo de Cristo Rei e Senhor do Universo do ano passado, para dar a conhecer este Santo em todas as suas paróquias.


A sua presença acompanhou a missão quase como um peregrino silencioso: esteve na oração do terço feita em procissão por ruas da paróquia, na adoração ao Santíssimo Sacramento, nas visitas aos doentes e aos mais frágeis, nas comunidades e no encontro com as crianças e adolescentes. Mais do que dar a conhecer a vida de um jovem santo, procurou-se transmitir a mensagem que marcou toda a sua existência: fazer de Jesus, presente na Eucaristia, o centro da vida. Na segunda semana, a Missão Popular concentrou-se na igreja paroquial.


Cada Eucaristia teve um tema próprio e, através de diversos gestos e símbolos, convidou a comunidade a redescobrir a riqueza da Palavra de Deus, da Igreja, da família, de Maria e dos sacramentos.
Houve ainda lugar para a celebração da Santa Unção, para uma celebração mariana, para momentos de encontro que envolveram pessoas de todas as idades e, até, para a renovação de votos matrimoniais. No entanto, talvez o maior fruto desta missão viu-se nas conversas demoradas à porta das casas, nos reencontros entre vizinhos, na alegria de quem participou pela primeira vez, no entusiasmo dos paroquianos, na dedicação dos voluntários e no serviço discreto de tantas pessoas que fizeram acontecer cada encontro e cada celebração.


A Missão Popular terminou com uma Eucaristia de Acção de graças, onde não faltaram palavras de reconhecimento aos missionários vicentinos que tornaram a Missão possível – Padre Alves, Diácono António Clemente (ordenado, entretanto, Sacerdote) e Irmã Márcia – ao pároco Benjamim Mesquita e a todos os que colocaram os seus dons ao serviço da comunidade.


O encerramento prolongou-se num almoço comunitário, preparado pela Comissão de Festas de S. Vicente de Sousa, num ambiente de convívio que reflectiu bem aquilo que se viveu ao longo destas duas semanas. Mais do que recordar um conjunto de actividades, a Missão Popular deixou um convite: continuar a construir uma comunidade onde cada pessoa se sinta acolhida, escutada e chamada a participar e a estar mais perto de quem mais precisa.
Foi um apelo a ser “mais família, mais próximos, mais atentos, mais disponíveis”. Porque, como se dizia na celebração de encerramento, o tempo forte da Missão Popular terminou no calendário. Mas, se Cristo encontrou verdadeiramente lugar no coração da comunidade, então a missão da paróquia está apenas a começar.
Ana Silva


