Escritor defendeu que deve ser feito um filme sobre António Sérgio

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Cerca de meia centena de alunos do ensino secundário, professores, artistas e público em geral encheu o auditório do Bar do Cinema Batalha, no passado no âmbito da programação do Fantasporto, na apresentação e tertúlia em torno do último livro do escritor felgueirense José Carlos Pereira, “Adaptação e Intertextualidade na obra infantojuvenil Contos Gregos de António Sérgio”, recentemente editado pela CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social.

A sessão cultural foi moderada pelo conhecido realizador Pedro Vasconcelos, enquanto a apresentação crítica do livro numa perspetiva da adaptação da literatura para a tela esteve a cargo de André Dinis, editor e argumentista de cinema. Esteve também presente Manuel Maio, advogado e delegado no Norte da CASES. Os grupos de alunos presentes pertencem a dois Agrupamentos de Escolas – o AE de Pedrouços, da Maia, e do AE António Sérgio, de Vila Nova de Gaia.

José Carlos Pereira comentou a vida cívica e cultural de António Sérgio (1883-1969), figura multifacetada e proeminente da primeira metade do século XX português, que, em 1923, assumiu a pasta de ministro da Instrução Pública, na I República, em que, entre outras medidas, fundou o Instituto Português das Doenças do Cancro, futuro IPO. Depois, durante a ditadura, foi um convicto opositor a Salazar, vindo a sofrer o exílio e várias prisões. O escritor afirmou que devia ser feito um filme sobre a vida e a obra de Sérgio.

A seguir, José Carlos Pereira, André Dinis e Pedro Vasconcelos falaram da adaptação dos mitos da Antiguidade Clássica para a literatura infantojuvenil, no caso concreto em relação aos “Contos Gregos” (1925), de António Sérgio, e a adaptação das lendas milenares para o cinema, sendo a sétima arte um meio de as perpetuar. “Por exemplo,  o mito de Jasão e Medeia, principais protagonistas da História dos Argonautas, deram lugar a muitos filmes, cada um com a sua interpretação “– afirmou André Dinis. 

Manuel Maio lembrou António Sérgio como o fundador do cooperativismo em Portugal como concretização da economia social, a par dos setores público e privado. Lembrou figuras políticas que, a seguir ao 25 de Abril, implantaram medidas legislativas para a criação do cooperativismo no nosso país, por exemplo, Mário Soares, Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Henrique de Barros. “Só assim foi possível a criação de cooperativas de habitação, de consumo e, entre outras áreas económicas, de crédito agrícola” – enalteceu Manuel Maio.

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