Começou como começam quase todos: a lavar loiça, a descascar batatas, a ajudar onde fosse preciso. Sem capital para abrir um restaurante, decidiu apostar em si e criar o seu próprio projeto: Artur Private Chef, depois de passar pelo Infante Sagres, entre outros…


Antes de aprender técnicas francesas ou de cozinhar em hotéis de luxo, Artur Silva já sabia uma coisa essencial: a cozinha é um lugar de partilha. Aprendeu isso em Felgueiras, entre familiares, tachos ao lume e sobremesas feitas sem balança nem receita escrita.
Natural de Felgueiras, Artur cresceu rodeado de restaurantes da família. Começou como começam quase todos: a lavar loiça, a descascar batatas, a ajudar onde fosse preciso. Mas havia sempre um momento especial: provar. O bolo de bolacha, que fazia vezes sem conta, tornou-se um pequeno ritual e continua, até hoje, a ser uma das suas sobremesas preferidas. Simples, honesta, como a cozinha que gosta de fazer.
A mãe teve um papel central nesse percurso. Excelente cozinheira, era dela que vinham os pratos mais reconfortantes e as sobremesas que marcavam qualquer dia especial. O semifrio de leite condensado, chocolate e bolacha ainda hoje é um clássico de família. A receita continua guardada a sete chaves, talvez para garantir que ninguém a faça melhor.
Foi também em Felgueiras que Artur percebeu que cozinhar podia ser mais do que um gosto. A formação no Externato Senhora do Carmo trouxe-lhe disciplina e método, mas nunca lhe tirou o lado humano da cozinha. Pelo contrário, ajudou-o a perceber que a técnica só faz sentido quando serve o sabor e as pessoas.
Vieram depois os desafios fora da terra. Estágios no TheYeatman e no Altis Belém colocaram-no cedo em cozinhas exigentes, onde se trabalha sob pressão e se aprende a não desistir. No Yeatman ficou vários anos. Cozinhou para muitos, todos os dias, muitas vezes sozinho. Aprendeu a repetir, a corrigir, a aceitar críticas. Um puré de batata recusado obrigou a refazer tudo do início — uma lição de humildade que nunca esqueceu.
publicidade


No Porto, o caminho continuou no Infante Sagres. Cresceu dentro da casa, passou por várias funções e acabou por assumir o papel de chef, liderando uma equipa de 15 pessoas. Foram anos intensos, de responsabilidade e aprendizagem.
Houve um momento em que sentiu que precisava de mudar, por vontade de estar mais perto das pessoas. Sem capital para abrir um restaurante, decidiu apostar em si e criar o seu próprio projeto: Artur Private Chef.
Hoje, Artur cozinha em casas, eventos, espaços improváveis e ideias que ainda estão a nascer. Não se limita a um formato. Cozinha para celebrar, para reunir pessoas, para criar memórias. Gosta de um serviço leve, descontraído, mas cuidado. Acredita que a comida sabe melhor quando quem a faz está tranquilo.
Artur pode já não viver em Felgueiras todos os dias, mas carrega a terra consigo em cada prato. Nos sabores simples, no respeito pelo produto, na forma como trata quem está à mesa.
Porque há coisas que não se aprendem em hotéis nem em grandes cozinhas. Aprendem-se em casa. E Felgueiras foi a primeira cozinha de Artur Silva.
publicidade






